O consumo e a fabricação de bebidas alcoólicas fazem parte de um costume presente na cultura da maioria dos povos. Apesar do interesse nas pesquisas relacionado à bebida alcoólica estar geralmente ligado a seus efeitos no sistema nervoso central, deve-se lembrar de que, uma vez que é obtido por meio de um processo natural decorrente da fermentação de alimentos que contêm açúcar, o álcool fornece 7,1 kcal/g .
O álcool tem a capacidade de suprimir as necessidades calóricas diárias de um indivíduo e/ou levá-lo ao sobrepeso, dependendo da quantidade, freqüência e modo de consumo. Mesmo com o aumento da atividade física nos indivíduos alcoolistas, muitas vezes isso não é suficiente para compensar a grande quantidade de calorias ingeridas. Assim, muitas pessoas dependentes de álcool apresentam obesidade, sobrepeso e até circunferência da cintura acima dos padrões esperados.
O trabalho à seguir discute o efeito do álcool no metabolismo energético e suas conseqüências no peso corporal.Verificou-se na área metropolitana de São Paulo que 30,8% da população consome habitualmente algum tipo de bebida alcoólica, a mais freqüentemente relatada foi a cerveja, seguida pela cachaça e pelo vinho. Nos Estados Unidos, o álcool tem fornecido cerca de 6% a 10% das calorias diárias dos analisados, sendo relatado como o terceiro maior fornecedor de energia, logo após o pão branco e doces. Estima-se que o álcool fornece, dentro das calorias diárias dos norte-americanos, 5% da energia nos consumidores moderados (que bebem até sete doses semanais), chegando até 20% da energia para aqueles que bebem até 25 doses por semana.
O álcool é uma fonte de energia diferente de todas as outras, pois ele não pode ser estocado no organismo. Por ser uma substância tóxica, deve ser eliminado imediatamente . Assim, durante o metabolismo o
Um trabalho aponta que nem todas as pessoas aproveitam as calorias do álcool da mesma maneira: as mais magras tendem a não aproveitar suas calorias de forma eficiente, ao contrário de indivíduos com IMC (Índice de Massa Corpórea) mais elevado. Ao introduzir, por três meses consecutivos, 30 g de álcool na dieta de pacientes, aqueles com IMC > 25 kg/m2 usaram a energia do álcool mais eficientemente do que aqueles com IMC < 25 kg/m2, que necessitaram de um suplemento calórico para conseguirem manter seu peso. Pode-se concluir que em obesos as calorias do álcool são mais bem aproveitadas, podendo até contribuir para o ganho de peso.
As calorias fornecidas pelo álcool podem alterar o perfil dietético. A intensidade com que essas mudanças ocorrem e se manifestam no indivíduo está diretamente relacionada com a constância e quantidade na ingestão alcoólica. Sabe-se que o álcool supre o alimento na dieta de dependentes graves; portanto, o alcoolista grave é descrito normalmente como um paciente desnutrido, uma vez que a ingestão alcoólica substitui calorias e nutrientes adequados. Porém na ingestão moderada, o álcool pode ser uma fonte adicional de energia, sendo somada à dieta habitual da paciente. Esse tipo de fonte calórica é conhecida como "calorias vazias", uma vez que, apesar de seu alto valor energético, faltam nutrientes essenciais como proteínas e vitaminas. Deve- se considerar também a composição dos alimentos que são consumidos jutos com o álcool.
É de suma importância destacar que o álcool é apontado também como estimulador de apetite. Estudos que verificaram o consumo alimentar feito uma hora após ingestão alcoólica confirmaram esse dado ; em uma revisão bibliográfica atual, apontam que o álcool estimularia vários sistemas implicados no controle de apetite.
Quando a ingestão alcoólica supera 25% a 50% das calorias totais diárias, estas não são utilizadas eficientemente como fonte de energia, pois o excesso de calorias ingeridas na forma de álcool não pode ser estocado. Assim, ocorrem desvios metabólicos para priorização da desintoxicação do álcool, com perda significativa de energia, o que transforma o álcool em causa da desnutrição primária, pelo fato de deslocar os nutrientes da dieta e de desnutrição secundária, por ser responsável pela má absorção e agressão celular resultantes de sua toxicidade no organismo.
Pode-se concluir que no Brasil, como na maioria dos países da América Latina, a obesidade tem aumentado significativamente nas últimas décadas, a quantidade de álcool consumida, assim como a de alimentos ingeridos, é importante para repercutir no ganho de peso. É relevante também o fato de esse consumo alimentar ser adicionado ou substituído pelo álcool. E também o valor energético dos alimentos somado ao consumo alcoólico e o consumo deve ser observados na relação de ganho de peso
Deve-se lembrar que as respostas ao consumo de álcool são diferentes de um indivíduo para o outro e são determinadas por diferentes fatores, como o genético ( ainda desconhecido). Devemos questionar não somente se as calorias do álcool devem ser contabilizadas, mas também como elas são aproveitadas pelo organismo. O álcool encontra respostas diferentes , dependentes de cada indivíduo e o ganho de peso relacionado ao consumo de álcool segue a mesma tendência. O aumento do consumo alcoólico pode diminuir o ganho de peso, mas também aumenta a sua toxicidade. Nesse sentido, conhecer o valor calórico do álcool e analisar a quantidade diária consumida devem fazer parte da avaliação nutricional, a fim de que esse importante dado seja considerado tanto no cálculo dietético para controle de peso do indivíduo, como para caracterizar a desnutrição
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